A voz melosa de Adele soava pelas caixas de som quando ele chegou. Perdida nos acordes de Set Fire to the rain, terminava de fazer o jantar, não esperava que ele chegasse tão cedo. Estava com suas roupas embaladas da lavanderia numa das mãos e a mochila do laptop em outra. Descalça na pequena cozinha me virei para encarar seus olhos azuis penetrantes que faziam minha espinha gelar, fazia poucas semanas que estávamos juntos e eu ainda não tinha acostumado com as sensações que ele despertava no meu corpo só com seu olhar. – Oi, ele disse baixinho enquanto abri espaço para ele na cozinha.Read More →

Em um belo e cinzento dia descobriu que tinha cansado de brincar de ser solteira. O pega-pega dos relacionamentos instantâneos e o esconde-esconde com a solidão começaram a ficar chatos e extremamente tristes. Pegou-se desejando descer para o playground dos relacionamentos sérios. Onde o gira-gira ia cada vez mais rápido quando girava em dois e o balançar de mãos dadas deixava o pôr do sol mais encantador. Desejava a sensação da gangorra da palavra compromisso e o escorregar os dedos finos em alianças imaginárias. Não tratava mais de carência, estava longe disso. Esperava pelo prazer da companhia do outro quando se chega em casa. SentarRead More →

Sentou em frente à janela, pensativa pegou o moleskine e sua caneta preferida. Fazia tempo que queria escrever, sentia que devia uma explicação ou porque não um pedido de desculpas. Não deu certo simplesmente porque não tinha que dar. Não deu certo porque como dois estranhos andando cada um na sua estrada se encontraram de repente num lugar comum e era tanta afinidade e tanta sintonia que se era para ser bom, se tornou pesado e não era mais bom. Sem comparar, entristecer, tentar mudar ou poder entender, não deu certo. Entregava-se aos dias de sol, as camisas de bandas e a barras de chocolates.Read More →